
Neste país do mais ou menos e do assim assim o Alberto João é uma daquelas figuras que tem o dom de despertar tamanhos ódios quanto admiração,é uma lufada de ar fresco qual vendaval que nos entra casa dentro nos telejornais com as suas autênticas bombas anti políticamente correcto quando temos a sorte de não roçar a brejeiragem.
Pessoalmente, não admiro nem o seu estilo nem a sua política mas que faz falta, faz. Desta vez, no entanto, não é que tenho de dar razão ao homem? Fico estupefacto quando o vejo, logo a ele, a lutar pela igualdade de tratamento e de circunstâncias de partidos políticos e de ideais que não o dele. Atónito, mas a pura da verdade é que tem toda a razão e coragem, muita coragem.
Desta vez, teve o simples discorrer de chamar a nossa atenção para o facto de que o Comunismo enquanto ideal político tem tanto de democrático quanto o Fascismo, nem mais nem menos. No entanto, um é legalizado enquanto o outro é ilegal. Ambos partilham o ideal totalitário e ambos são aversos à Democracia, logo, por que motivo não têm tratamento idêntico aos olhos da constituição?
Neste país de oportunistas e de moralidade mistificadas, a justificação para um ser legal e o outro ilegal é que os Comunistas lutaram pela liberdade contra os Fascistas, os fascistas perderam e estão a cumprir um tempito de castigo no banco de suplentes. Ora, será então, conveniente esclarecer alguns pontos.
Em primeiro lugar, nem em Portugal, nem em nenhum outro país do mundo, os Comunistas lutaram pela Liberdade. Os Comunistas lutaram contra vários regimes para os fazer cair e para instaurar a sua ditadura, regimes Comunistas e jamais regimes Democráticos. Em Portugal, devido, em primeiro lugar, à vontade do povo, demonstrada como ficou no célebre episódio da Fonte Luminosa, não conseguiram anular a Revolução do 25 de Abril e nunca conseguiram, para sua infelicidade, instaurar a sua ditadura.
Quanto a Fascismo em Portugal, nunca existiu. A ditadura foi um facto da nossa história, duro, penoso, que deixou marcas profundas mas que não é considerado por ninguém um regime fascista.
Para concluir, se a minha Constituição permite a existência perfeitamente legalizada de um partido comunista, por que motivo é que a mesma Constiuição proíbe a existência e persegue os partidos de extrema direita? Não haverá aqui dois pesos e duas medidas?
Uma das explicações para esta discriminação é que os partidos de extrema direita aparecem, muitas vezes, associados a outras organizações violentas mas as FP 25 de Abril não foram exactamente um grupo de acólitos para ajudar na missa e o PC nunca foi ilegalizado.
Longe de defender quaiquer ideais violentos, xenófabos ou racistas creio que uma das virtudes, das poucas restantes, do regime democrático é que seja capaz de ouvir a todos e respeitar todas as organizações políticas que, com seriedade e respeito para com os outros partidos, apontem para novos rumos políticos, ainda que diferentes, numa época em que deles estamos tão necessitados.
O mais caricato de toda a situação é que é preciso um Alberto João para dizer a verdade. Toda a gente sabe. Não é preciso pensar muito. O grande argumento da extrema-esquerda é por si só, também extremamente falível. Advogam o seu papel na "construção" da liberdade. Meus amigos, não foram os comunistas. Foram os militares que sairam dos quartéis, desafiaram ordens e tomaram o quartel do Carmo. A eles e à sua coragem devemos a nossa liberdade. A prova que o AJ tem razão é que os que se gabem de ter construído a democracia são tão democráticos, tão democráticos que não toleram que os ponham em causa.
ResponderEliminarNinguém está livre de levar com areia nos olhos, mas ela não fica lá para sempre.