quinta-feira, 2 de julho de 2009

DesNorte


Confesso, quando o ânimo nos falta,torna-se difícil, por vezes, não perder o Norte. Estava eu convencido de que este ano seria fértil em eleições, três eleições num ano; mais não seria possível mas equivoquei-me afinal, são quatro e não apenas três. A avaliar pela atenção que lhes é dirigida pela comunicação social não sei mesmo qual das eleitas será mesmo a mais importante.
Com uma eleição já decorrida e com outra a decorrer creio ser já possível fazer mesmo algumas comparações, mais que não seja, entre ambas.
Na que já decorreu, os candidatos foram eleitos entre os supostamente melhores de entre os seus pares; todos os que reuniram condições, propuseram-se a votos e, segundo o seu valor ou dom oratório, assim foram eleitos, ou não. Na eleição que está a decorrer só existe um candidato com esse nome, excluiu qualquer sombra de oposição e sabe de antemão que apenas ele poderá ser eleito.
Na eleição que decorreu os candidatos apresentaram o seu projecto e têm a possibilidade de o executar e de demonstrar o seu mérito ou falta dele e algum valor. Na eleição que está a decorrer o projecto executado foi comprovadamente um completo fracasso mas apesar disso não se assume a incompetência e o erro;em vez disso, fabricam-se desculpas de mau perdedor e inventam-se culpados.
Na eleição que decorreu, o sistema democrático, para nosso bem ou mal,funcionou o que deixou satisfeito o eleitor que foi, ou não, votar. Na que está a decorrer houve um golpe de estado para que um candidato pudesse apresentar a sua estratégia eleitoral.
Ainda em termos de comunicação social, ambas têm tido um tratamento, em termos de tempo de antena, muito especial, facto que não seria de estranhar não estivéssemos nós a falar de realidades completamente distintas: a de uma nação e a de um clube de futebol que aspira a ser uma nação.
Curioso, no entanto, não deixa de ser o facto de num estado democrático como o nosso, com um historial já longo de processos eleitorais, não haja ninguém, à excepção apenas e só de um tribunal,que consiga vislumbrar os atropelos à normalidade do processo eleitoral e o verdadeiro assalto ao poder de uma instituição que muitos identificam como A maior instituição deste país.
Se este alheamento para muitos é normal porque não estão atentos ao fenómeno ou porque a outros até lhes convém porque torcem por outras cores;para aqueles que estão a ser violentados, o seu silêncio tem tão de intrigante como de assustador. Já o seu desNorte, pelo contrário, é uma questão perfeitamente tranquila em função da falta de ânimo que tanta derrota inevitavelmente acarreta. Se o caminho se faz caminhando, para encontrar o seu Norte e tudo de bom que ele augura então talvez fosse de bom tom dar o primeiro passo nessa direcção mesmo que este signifique dar a real boot a quem o merece.
Quanto a mim o resultado das primeiras eleições só pecou pelo reduzido número de votos em branco. Quanto ao resultado da próxima eleição que se adivinha, aproveito já para desejar as maiores felicidades ao vencedor e que Deus o mantenha por muitos e bons anos, no mínimo e no máximo, com resultados iguais àqueles que já alcançou e que provou ser verdadeiramente merecedor.

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