domingo, 10 de maio de 2009

O comboio da vida






Na vida, qual comboio em que embarcamos, partilhamos etapas, carruagens com algumas pessoas que se tornam companheiras de viagem. Algumas, estão mesmo pelo passeio, outras procuram algo, aquelas há também que nem sequer lá queriam estar mas têm que fazer o caminho. A algumas damos muito, quer queiramos ou não, da mesma forma que, a outras, não damos rigorosamente nada porque simplesmente as linhas não se tocavam e jamais irão passar de rostos na multidão. Daquelas a quem damos, algumas saem logo na primeira paragem, saem mas deixam sempre algo e o tempo em que nos acompanham nessa viagem não é proporcional à marca que nos deixam. O lugar para nos sentarmos a seu lado pode estar já ocupado ou pode existir sempre a vontade de continuar a sua viagem sozinhos ou sós. Apesar disso, nada impede que se aproveite a viagem, conhecer, partilhar, discutir, perdoar, chorar, sorrir e recordar mesmo em bancos separados.
Mais à frente novos passageiros irão entrar e sair mas no apeadeiro final a nossa bagagem deveria estar sempre mais preenchida com um bocadinho daqueles com quem partilhámos e seria bom se tivéssemos contribuído também para preencher a bagagem de alguém, só assim vale a pena a viagem.



(...) vivamos como quem sabe que vai morrer um dia, e que morramos como quem soube viver.

Vinicius de Morais

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