
Ironia das ironias; aquando da escrita da primeira mensagem do dia, longe estava eu de pensar (não fora o simples esquecimento)que, algumas horas mais tarde, estaria na Sé de Évora,numa cerimónia longa para os não crentes e plena de significado e sentimento para os seus seguidores.
Foram crismados cento e seis irmãos e baptizadas duas irmãs numa cerimónia que encheu literalmente a Sé de Évora.
Perfilhando eu a religião do Homem que se sobrepõe a qualquer religião humana, e apesar disso,não posso deixar de vos transmitir a enorme paz de espírito que nos invade vinda não sei de onde daquelas paredes.
Será o fresco que amaina a brasa do tórrido calor alentejano que fazia lá fora? Não será isso com certeza.
Agora quanto ao verdadeiro motivo,essa será a questão que vos deixo porque para ela também não tenho resposta.
Limito-me apenas a constatar o seguinte facto: para além da igreja, que instituição, local ou breve momento de reflexão reservamos nós a nós próprios e ao caminho que percorremos todos os dias?
Que bocadinho dos nossos dias dispensamos de nós próprios a nós próprios, para olhar um pouco para o nosso lado?
A fronteira entre anjos e demónios mais do que traçada num acto renovado de crime e expiação do pecado deveria ser assente na nossa capacidade constante de nos observarmos a nós próprios e de sermos capazes de seguir uma velha máxima:não faças ao próximo aquilo que não queres que te façam a ti.
Anjos ou demónios? Há que recorrer ao juiz que traçou a linha mas será que temos de pagar também as custas do processo antecipadamente?
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