
Começou ontem oficialmente o período de campanha eleitoral e mais uma vez o povo português vai ter de escolher de entre todos os candidatos e projectos aquele que lhe dê mais garantias. No entanto, será que as melhores propostas são as que estão a ser escortinadas ou será que existe alguma alternativa?
Alternativa a todo um sistema disfuncional em termos de gestão,influenciável e manipulável, desproporporcionado e não representativo?
Na minha opinião, a má gestão e o óbvio escandaloso das manipulações em prejuízo do país assumiram tal proporção que as as culpas vão muito além do partido ou do governo que pontualmente assuma o poder na lógica de intercalamento a que estamos destinados. Todo o sistema que o suporta tem de responder perante tais falhas.
É de consenso que o sistema parlamentar,de representatividade do eleitor, se tornou uma farsa, desde cabeças de lista dos círculos eleitorais estranhos aos círculos que os elegem quais verdadeiros cabeças de cartaz até ao seu próprio número,reconhecidamente excessivo à anos por uma larga maioria e ainda assim teimam em manter o seu número, afinal o seu próprio número ainda que condenem ao esquecimento os próprios círculos que os elegeram. A administração de empresas privada ou semi-privadas por parte de políticos com responsabilidades anteriores na área de influência da empresa continua a ser uma realidade bem como as impensáveis derrapagens orçamentais de obras públicas ou o próprio fim dos concursos públicos.
As promessas eleitorais estão já tão ridicularizadas a tal ponto que nem os próprios partidos que aspiram ao Governo sentem necessidade de as fazer e a própria noção de projecto de desenvolvimento sustentado do país está já tão descridibilizada que não há, com este sistema político, forma de o recuperar, a tal ponto que já nem o partido com maiores aspirações ao poder sente necessidade de o apresentar.
Para além de tudo isto, se pensarmos no estado calamitoso de um país assolado por assimetrias gigantescas, socio-económicas e geográficas, se pensarmos no descrédito justificado que é ser político hoje, pergunto eu, quem, no seu juízo perfeito, com perfil para essa responsabilidade e sem segundas intenções ou interesses terá a coragem de lhe tomar mão? Por algum motivo os rostos são sempre os mesmos.
Não será necessária a bomba atómica mas a alternativa está nas nossas mãos. Aliás, continua a estar porque apesar de tudo, o que faz com que este sistema sobreviva, irónicamente, é a nossa própria mão, o nosso próprio voto ou a falta dele. Somos nós que o legitimamos, nós que lhe damos vida, nós que tanto temos sofrido pelas nossas próprias escolhas.
É tempo, porque nunca é tarde para mudar, de dar um sinal muito claro a estes senhores, basta! Chega, exige-se mudança, exige-se responsabilidade e exige-se respeito.
Na opinião de muitos, o voto em branco não faz sentido porque não traduz uma escolha. Discordo, o voto em branco traduz a escolha da mudança, diz claramente que não nos representamos neste sistema, diz claramente ao status quo:as vossas opções não me satisfazem, não me esclarecem, não respondem às necessidades do país. O voto em branco exige mudança.
Para terminar, deixo apenas um apelo, que vão votar, senão em branco, que vão votar e que expressem a vossa opção na urna, não no café, depois de jantar com os amigos,no trabalho ou na fila do banco ou das finanças, aí será inconsequente tal como o sistema democrático que nos (des)governa. Para quem disse à um tempo atrás: quem não chora não mama, eu digo: quem não vota não chora!
PS Os frigorícos e demais electrodomésticos apenas serão entregues aos meus eleitores após o acto eleitoral e mediante fotocópia autenticada do boletim de voto.
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